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Como garantir a biodiversidade em projetos de reflorestamento
O uso de espécies nativas em projetos de reflorestamento não é apenas uma exigência legal, mas uma estratégia eficaz para restaurar ecossistemas e garantir.
02 de dezembro de 2024 · por Pequi Ambiental
Os projetos de reflorestamento voltados para o sequestro de carbono estão em alta. Contudo, é essencial ir além de apenas plantar árvores e focar na biodiversidade. A nova certificação TGBS (The Global Biodiversity Standard) surge como um marco para assegurar que essas iniciativas promovam um impacto positivo não só na captura de carbono, mas também na preservação e recuperação da vida nos ecossistemas.
Reflorestamento e Biodiversidade: Desafios e Realidades
De acordo com Guaraci Diniz, do Jardim Botânico Araribá (JBA), em Amparo (SP), muitos projetos de reflorestamento focados no carbono deixam de lado a biodiversidade. Um estudo da ONG Social Carbon Foundation revela que apenas 12% dos projetos globais utilizam mais de dez espécies nativas, enquanto 32% se limitam a espécies exóticas. Esse cenário resulta em “florestas captadoras de carbono” que negligenciam o papel crucial da biodiversidade.
As dificuldades incluem a produção limitada de mudas nativas, falta de recursos e desinteresse. Espécies pioneiras, com crescimento rápido e vida curta, dominam muitos projetos, mas não garantem a perpetuação da floresta. Espécies clímax, essenciais para o equilíbrio a longo prazo, são frequentemente ignoradas devido à falta de fiscalização e à curta duração dos contratos de compensação ambiental.
TGBS: Uma Certificação Para a Biodiversidade
Para mudar esse cenário, o Botanic Gardens Conservation International (BGCI) desenvolveu o TGBS, lançado na COP-16 da Biodiversidade, na Colômbia. A certificação visa garantir que os projetos reflorestem com um enfoque em espécies nativas e na biodiversidade. O manual do TGBS orienta sobre práticas que promovem não apenas o plantio, mas a restauração de hábitats, considerando flora, fauna, fungos e populações humanas locais.
Benefícios do TGBS
- Garantia de Sustentabilidade:
- Certifica que as áreas reflorestadas promovem a biodiversidade, beneficiando o solo, a água e a fauna.
- Credibilidade:
- Empresas e governos podem utilizar a certificação como prova de que estão alinhados às melhores práticas ambientais.
- Impacto Social:
- Conexão com comunidades locais, fortalecendo a educação ambiental e oportunidades econômicas.
- Ciclo Virtuoso:
- Incentiva a produção de mudas nativas, contribuindo para a conservação de espécies raras.
Desafios na Implementação
Apesar dos benefícios, o custo elevado de mudas clímax e sua difícil reprodução representam gargalos. Na Mata Atlântica, por exemplo, existem 32 espécies clímax que exigem esforços significativos para multiplicação. Segundo Diniz, a adoção crescente do TGBS pode criar um ciclo virtuoso que facilite o acesso a essas mudas.
O Papel do Brasil no TGBS
No Brasil, o Jardim Botânico Araribá é o principal parceiro do BGCI, aplicando o TGBS em biomas como Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado. Durante a COP-16, grandes empresas brasileiras já demonstraram interesse, sinalizando projetos de plantio de milhões de árvores. Essa iniciativa reforça a liderança do país em práticas de restauração ecológica.
Conclusão
O TGBS representa um salto qualitativo para projetos de reflorestamento, unindo captura de carbono e preservação da biodiversidade. Com o compromisso de governos, empresas e comunidades, é possível transformar o reflorestamento em uma ferramenta ainda mais poderosa para enfrentar as crises climática e de perda de biodiversidade.
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